Setembro chegou. E com ele, começa uma das decisões mais importantes do ano: o orçamento do ano que vem.

Marketing, gestão, tecnologia, imprevistos… cada área começa a disputar seu espaço na planilha. Mas existe uma pergunta que merece atenção: qual será o espaço do e-commerce no orçamento do próximo ano? 

Na sua empresa, ele entra como prioridade ou como coadjuvante?
O canal que sobra depois que todo o resto já foi definido?

Os números contam outra história.

Os números que ninguém deveria ignorar

Vamos aos fatos. A Abiacom projeta R$ 258,9 bilhões em vendas online no Brasil para 2026,  9,9% a mais que 2025, que já tinha crescido 15,3% sobre 2024. A projeção para 2028 passa de R$ 313 bilhões.

O tíquete médio subiu para R$ 562,15. Os pedidos já somam mais de 460 milhões por ano.

O recorte até 2027 é ainda mais direto ao ponto: segundo dados publicados pela Ecommerce Brasil, o setor deve saltar de R$ 349 bilhões (2023) para R$ 557 bilhões, quase 60% de crescimento acumulado. A fatia do e-commerce dentro do varejo total sobe de 11% para 15% no mesmo período.

O dinheiro está indo nessa direção, ano após ano, sem sinal de desacelerar.

Pare de tratar e-commerce e loja física como rivais

Aqui vai a primeira mudança de mentalidade, antes de qualquer número entrar na planilha: e-commerce e loja física competindo pela mesma verba, como times adversários, sai caro.

Empresas que separam essas operações criam barreiras invisíveis dentro da própria casa. O resultado costuma ser desalinhamento de estoque, informação truncada e decisão de investimento baseada em dados incompletos.

Quando os dois canais competem por verba, o negócio sai perdendo. Quando os dois somam, o resultado passa a ser maior que a soma das partes.

A pergunta que vale a pena fazer: como fazer os dois se alimentarem, em vez de brigar pelo mesmo orçamento?

As indústrias estão vendendo direto pro consumidor

Tem outro movimento que merece linha própria no seu planejamento: fabricantes vendendo direto para o consumidor final, sem passar pelo distribuidor.

Nestlé e Natura já fazem isso, e o motivo vai além de vender mais: é o acesso direto ao dado de comportamento do consumidor, algo que nenhum distribuidor repassa com a mesma riqueza.

Em painel recente promovido pela Ecommerce Brasil, executivos de Samsung, Midea Carrier e Lenovo bateram no mesmo ponto: D2C funciona como mais um canal de vendas, que exige dados, tecnologia e execução bem governados pra não gerar conflito com o canal tradicional.

Se a sua indústria ainda não parou pra pensar nisso, 2027 é um bom ano pra começar. Vale um espaço no orçamento só para essa conversa.

Onde a tecnologia entra no orçamento

Agora a pergunta prática: como sustentar esse crescimento sem multiplicar o caos operacional?

A resposta do mercado aponta pra gestão integrada — vendas, estoque, financeiro e fiscal conversando em tempo real — como o novo diferencial de 2026 e 2027, muito além de simplesmente estar online.

Com a reforma tributária batendo na porta, quem não tiver esse tipo de automação prevista no orçamento vai sentir o custo em dobro: o operacional e o da correria de última hora.

Fica a provocação: no seu planejamento de 2027, o e-commerce já tem linha própria, ou ainda é “a gente vê depois”?

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