O que vimos no Google Cloud Next 2026: era das IAs de Execução
Na última semana, Las Vegas sediou o Google Cloud Next 2026, o fórum definitivo para a próxima fronteira da computação em nuvem. Acompanhamos de perto os anúncios que redefinem o que significa “automação” para o grande varejo e a indústria.
O paradigma mudou: saímos da fase experimental da Inteligência Artificial Generativa para a fase de IA de Execução. Abaixo, sintetizamos os 6 movimentos estratégicos que ditarão o ritmo do mercado nos próximos 12 meses.
1. IAs de Execução
O foco mudou de perguntas para resultados. Enquanto em 2024 usávamos IA para gerar textos, hoje os agentes recebem objetivos complexos.
Em vez de apenas pedir para “escrever um e-mail sobre um atraso”, a ordem agora é o desfecho. O agente acessa o sistema, identifica o gargalo e executa a solução. A Virgin Voyages, empresa de cruzeiros, apresentou que já resolve 74% das solicitações de clientes sem qualquer intervenção humana.
2. Orquestração Multi-Agente
Google formalizou o protocolo Agent2Agent (A2A) e o Model Context Protocol (MCP).
Isso permite que agentes de IA conversem entre si. Imagine um agente especialista em catálogo conversando com um agente de logística e um de finanças. Coordenados por um “agente maestro”, eles interagem etre si para interligar e resolver todas as pontas do negócio.
A ação humana fica reservada só para decisões críticas e exceções.
3. Gemini 3 e Vertex AI Agent Builder
Até 2025, o desenvolvimento de agentes era um processo fragmentado. Para colocar uma aplicação em produção, a engenharia de dados precisava “costurar” manualmente diversas peças. Esse cenário mantinha o tempo de desenvolvimento entre dois a três trimestres.
No Next 2026, o Google eliminou essa fricção ao consolidar tudo no Vertex AI Agent Builder. A plataforma agora entrega um ambiente end-to-end que reduz drasticamente o ciclo de vida do desenvolvimento.
O motor dessa evolução é o Gemini 3, que traz uma janela de contexto de 2 milhões de tokens e raciocínio multimodal. Na prática, a IA agora processa instantaneamente volumes massivos de dados e documentos complexos com precisão absoluta.
4. Confiança Operacional e Governança
Uma dúvida que sempre nos seguiu foi: “Se a IA errar, quem responde?”. O Google respondeu com três camadas de segurança:
- Model Armor: Filtra entradas e saídas para evitar vazamento de dados sensíveis (PII).
- Agent Sandbox: Um ambiente de teste isolado para auditar ações antes delas irem ao ar.
- Identity & Audit: Cada agente tem sua própria identidade digital. Toda transação no ERP deixa um rastro auditável.
5. O Panorama de Maturidade
Dados apresentados no evento mostram que, embora 70% das empresas já tenham adotado IA generativa, apenas 10% alcançaram retorno financeiro sustentado. O diferencial desses 10% é a transição do “piloto de inovação” para a escala produtiva. A oportunidade atual não está em testar a tecnologia, mas em integrá-la aos fluxos de trabalho reais de supply chain e vendas online.
6. A Explosão do Custo-Benefício
Um dado técnico impressionante: o custo por tarefa de inferência caiu 25 vezes em apenas 24 meses. Ao mesmo tempo, o volume processado atingiu 1.3 quatrilhão de tokens por mês.
Isso significa que o que antes era financeiramente inviável há dois anos, hoje cabe dentro do orçamento da maioria das áreas. As operações como atendimento e conciliação, que operam com alto volume, agora cabem no bolso do processamento via IA.
O Novo Padrão
Em suma, o Google Cloud Next 2026 consolidou a transição de uma tecnologia baseada em diálogos para uma infraestrutura de resolução autônoma. A combinação entre a queda drástica nos custos de processamento e a unificação das ferramentas de desenvolvimento permite que a inteligência artificial saia dos laboratórios de inovação para assumir o controle de processos críticos. Mais do que uma simples tendência, o que vimos foi o surgimento de um novo padrão operacional, onde agentes especializados e seguros são capazes de gerenciar a complexidade das empresas em uma escala e velocidade sem precedentes.

